A formação do futuro secretariado de Douglas Ruas (PL) começa a revelar um cenário distante de uma renovação na política fluminense. Os três primeiros nomes anunciados nesta terça-feira (3) têm ligação com estruturas administrativas que já fizeram parte de governos anteriores e da atual gestão estadual, levantando questionamentos sobre a capacidade de mudança prometida para o início do novo mandato, em janeiro de 2027.
Um dos casos que chama atenção é o de Anderson Monteze, escolhido para comandar a Secretaria de Planejamento, Gestão e Inovação. Ele ocupou o cargo de subsecretário de Planejamento e Orçamento entre 2020 e 2023, período que abrangeu os governos de Wilson Witzel e Cláudio Castro. A experiência é apresentada por Ruas como um diferencial técnico, sob o argumento de que Monteze não teve oportunidade de implementar suas ideias por estar subordinado a um quadro político. No entanto, sua passagem pela estrutura dos dois governos torna difícil separar sua trajetória da gestão que agora deverá ajudar a conduzir.
A escolha de Maria Gabriela Bessa para a Casa Civil e Governança também reforça a ideia de continuidade. Atual secretária das Cidades, ela assumiu a pasta após a saída de Douglas Ruas, que deixou o cargo para disputar a eleição. Agora, deve ocupar uma das posições mais estratégicas do futuro governo, mantendo no núcleo da administração uma integrante da equipe atual.
A terceira indicação é a da vice-governadora eleita, Fernanda Louback, para a Secretaria de Políticas Inclusivas e da Mulher.
Até o momento, os primeiros anúncios apontam para uma equipe formada por nomes que já circulam pelo poder estadual, seja em governos anteriores ou na administração atual. Em vez de apresentar uma renovação clara de quadros e práticas, Douglas Ruas começa a montar seu governo com figuras conhecidas da política fluminense. Resta saber se a nova gestão conseguirá apresentar mudanças concretas ou se a promessa de um novo ciclo ficará limitada à troca de comando.






