Uma antiga rivalidade política voltou a ganhar força no Rio de Janeiro após a prisão do deputado eleito Márcio Canella (União Brasil). Filippe Poubel (PL) e João Pires (PSD) aproveitaram o fim de semana para trocar acusações nas redes sociais, com questionamentos sobre uma investigação da Polícia Federal e denúncias envolvendo a chamada “máfia dos reboques”.
Poubel cobrou explicações de Pires sobre possíveis vínculos com pessoas citadas em uma apuração que investiga o suposto vazamento de informações sigilosas sobre operações de fiscalização em postos de combustíveis. Em resposta, Pires retomou críticas ao combate às supostas irregularidades no sistema de reboques e levantou dúvidas sobre nomeações e contratos no Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro).
O novo embate amplia uma disputa entre os dois políticos que já ultrapassou as declarações públicas e chegou à esfera judicial. As acusações apresentadas por ambos, porém, não constituem, por si só, prova de irregularidades por parte dos envolvidos.
Poubel cobra explicações sobre investigação da Polícia Federal
Em vídeo publicado nas redes sociais, Filippe Poubel abordou informações de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de vazamento antecipado de operações de fiscalização em postos de combustíveis.
Segundo o deputado, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) descreve a atuação de um grupo que supostamente repassava informações sobre estabelecimentos que seriam fiscalizados, incluindo datas, horários e identificação das equipes responsáveis pelas ações.
Poubel citou Edivaldo Ferreira Borges, conhecido como Biscoito, e Luiz Ricardo Esteva Lima, chamado de Tietcheko. De acordo com o parlamentar, os dois passaram pela Secretaria de Proteção e Defesa do Consumidor, que foi comandada por João Pires.
O deputado também mencionou o advogado Diogo Apacheco e informações divulgadas pelo jornalista Cláudio Magnavita sobre a trajetória política de Biscoito, incluindo sua participação na campanha eleitoral de Pires e um posterior retorno à administração pública.
Poubel afirmou ainda que Biscoito teria doado recursos à campanha de Pires e seria próximo do parlamentar. Com base nessas relações, cobrou esclarecimentos sobre eventuais vínculos e sobre o acesso a informações das operações de fiscalização.
“Agora, João Pires, explique. Qual era a relação de confiança entre vocês? Quem tinha acesso aos cronogramas das operações? Você sabia desses vazamentos?”, questionou.
O deputado do PL também afirmou que quem se apresenta como defensor do combate à corrupção precisa esclarecer possíveis irregularidades relacionadas à estrutura administrativa que comandou.
João Pires retoma denúncias sobre a máfia dos reboques
Em resposta, João Pires direcionou suas críticas à chamada “máfia dos reboques”, expressão utilizada em denúncias sobre supostas irregularidades na remoção e guarda de veículos no estado.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o deputado eleito questionou os resultados das mobilizações anteriores contra o esquema e afirmou que, apesar da redução das manifestações públicas sobre o tema, os problemas denunciados continuariam existindo.
“Você lembra dos vídeos? Os deputados combatendo a máfia dos reboques? Os vídeos sumiram, os reboques, não”, declarou.
Pires também levantou questionamentos sobre mudanças na direção do Detro e a nomeação de pessoas que, segundo ele, teriam ligações políticas com integrantes da administração estadual.
Entre os casos citados está a nomeação de Mariana Mendes Nogueira para a vice-presidência do órgão. Pires mencionou um vínculo familiar dela com uma assessora de um parlamentar e questionou a composição da nova gestão.
Pires questiona contratos de R$ 22 milhões e R$ 25 milhões
Outro ponto abordado por João Pires foi um contrato de R$ 22 milhões para a locação de uma nova sede administrativa do Detro. Segundo ele, o departamento funcionava anteriormente em um imóvel da Secretaria de Transportes, sem custos de aluguel.
O deputado também questionou um pagamento de R$ 25 milhões a uma empresa de reboques que, conforme sua declaração, teria assumido serviços antes executados por outra companhia.
Pires afirmou que o pagamento teria ocorrido sem auditoria ou estudo técnico e envolveria recursos provenientes de saldos remanescentes de leilões de veículos. Esses valores podem estar relacionados a quantias que, em determinadas situações, precisam ser devolvidas aos antigos proprietários.
“Entenderam como o jogo da política do Rio é pesado? Nem tudo que reluz é ouro. Pode ser inteligência artificial ou então a tradicional falcatrua”, declarou.
Na sequência, voltou a ironizar o discurso de combate às irregularidades adotado por adversários políticos. “Daqui a pouco eles vão dizer que merecem seu voto porque combateram a máfia”, afirmou.
As declarações de Pires foram feitas nas redes sociais. A existência de contratos ou pagamentos, por si só, não comprova irregularidades, e os questionamentos precisam ser avaliados à luz dos documentos e de eventuais apurações oficiais.
O confronto entre Poubel e Pires ocorre em meio a investigações e disputas políticas no Rio de Janeiro. Os dois parlamentares recorreram a episódios envolvendo órgãos públicos e pessoas citadas em apurações para questionar a atuação um do outro, reacendendo uma rivalidade que também envolve disputas judiciais.
Com informações: Agenda do Poder






