O julgamento do caso Henry Borel entrou no décimo dia nesta quarta-feira (3) e a sentença dos réus Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, pode ser anunciada ainda durante a noite. Após a fase de depoimentos e interrogatórios, o Tribunal do Júri inicia os debates entre acusação e defesa, etapa que pode durar mais de nove horas.
Considerado o julgamento mais longo realizado no Estado do Rio de Janeiro desde a reforma do Código de Processo Penal, em 2008, o processo ouviu 22 testemunhas ao longo de nove dias, além dos dois réus.
Na fase de debates, o Ministério Público e os assistentes de acusação terão duas horas e meia para apresentar suas teses aos jurados. Em seguida, as defesas de Monique e Jairinho terão o mesmo tempo para expor seus argumentos. Como há dois acusados, o período deverá ser dividido entre as duas bancas de defesa.
Após as sustentações iniciais, a acusação poderá realizar uma réplica de até duas horas. Na sequência, as defesas terão direito à tréplica, também com duração máxima de duas horas, sendo uma hora destinada a cada réu.
Concluída essa etapa, os sete jurados do Conselho de Sentença responderão aos quesitos formulados pela Justiça sobre a materialidade e a autoria dos crimes atribuídos a cada acusado. A decisão será tomada por maioria dos votos. Após a votação, a juíza Elizabeth Machado Louro fará a leitura da sentença e definirá a dosimetria das penas, caso haja condenação.
Depoimentos dos réus
Na reta final da fase de instrução, Monique Medeiros e Jairinho foram interrogados pelo Tribunal do Júri. Monique prestou depoimento por cerca de sete horas e afirmou acreditar que o ex-companheiro foi o responsável pelas agressões que resultaram na morte de Henry. Ela declarou ter vivido um relacionamento marcado por manipulação psicológica e disse que deixou de perceber sinais de violência contra o filho por confiar em Jairinho.
Durante o interrogatório, Monique afirmou que sua compreensão sobre o caso mudou ao longo dos anos de investigação e das informações reunidas no processo.
Já Jairinho, ouvido entre o fim da tarde e a madrugada de terça-feira (2), negou ter agredido Henry e contestou as acusações apresentadas pelo Ministério Público. O ex-vereador também rejeitou relatos de violência contra mulheres e crianças atribuídos a ele por testemunhas e ex-companheiras.
Antes dos interrogatórios, foram ouvidas 22 testemunhas, sendo 13 indicadas pela acusação e nove pelas defesas. Outras cinco testemunhas chegaram a ser dispensadas pelos advogados dos réus.
Desde o início do julgamento, em 25 de maio, peritos, policiais, profissionais de saúde, ex-companheiras de Jairinho e pessoas próximas ao casal prestaram depoimentos que ajudaram a reconstruir os acontecimentos que antecederam a morte de Henry Borel.







