Após mais de dois meses de internação, a empresária Izabela Leite, de 30 anos, morreu na noite da última quarta-feira (8), em Niterói. Ela estava hospitalizada desde o início de maio, após ser vítima de uma violenta agressão atribuída ao ex-companheiro. Com a confirmação da morte, a investigação deverá passar a tratar o caso como feminicídio consumado, substituindo a tipificação inicial de tentativa de feminicídio.
Desde que deu entrada no Hospital Estadual Azevedo Lima, no bairro Fonseca, Izabela enfrentou uma longa luta pela vida. A empresária permaneceu 39 dias em coma e, em junho, apresentou sinais de melhora, voltando a abrir os olhos e a se comunicar por meio de piscadas, o que renovou a esperança de familiares e amigos. Apesar da evolução inicial, seu estado de saúde seguia extremamente delicado devido à gravidade dos ferimentos.
O crime aconteceu no dia 2 de maio, no Morro do Estado, no Centro de Niterói. De acordo com as investigações da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), Izabela teria aceitado um convite do ex-companheiro para lanchar. Durante o trajeto, dentro do carro em que os dois estavam, houve um desentendimento que terminou com a empresária sendo brutalmente agredida.
Segundo a investigação, Izabela sofreu graves lesões na cabeça, no tórax e em outras partes do corpo. Após as agressões, ela teria permanecido desacordada por horas antes de ser levada pelo próprio ex-companheiro à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Fonseca. Em seguida, foi transferida para o Hospital Estadual Azevedo Lima, onde permaneceu internada até a confirmação da morte.
Familiares relataram que a empresária chegou ao hospital gravemente ferida e ensanguentada. Eles também afirmam que o ex-companheiro demorou para procurar atendimento médico após as agressões, circunstância que também faz parte das investigações.
O suspeito foi preso no dia 7 de maio, cinco dias após o crime, durante diligências da Polícia Civil. Ele é apontado como autor das agressões e permanece preso à disposição da Justiça.
Segundo familiares, o episódio que terminou na morte de Izabela não foi um caso isolado. Eles afirmam que a empresária já havia sofrido outras agressões durante o relacionamento. Em uma dessas ocasiões, houve registro de ocorrência e atendimento médico, mas ela não apresentou documentos nem realizou exame de corpo de delito, o que dificultou o avanço da investigação.
A família também relata que o acusado possuía histórico de violência, com passagem pela polícia por tráfico de drogas e uma ocorrência baseada na Lei Maria da Penha envolvendo uma ex-companheira, registrada em 2021.
Além da violência sofrida, Izabela deixa uma história marcada pela dedicação à família e ao trabalho. Especializada em mega hair, ela havia acabado de realizar um antigo sonho: deixar a comunidade onde morava, no Morro do Estado, e alugar um novo espaço para ampliar o salão de beleza que administrava.
Mãe de uma menina, Izabela era descrita por amigos e familiares como uma mulher dedicada à filha, ao crescimento profissional e aos planos para uma nova fase da vida. Todos esses projetos foram interrompidos pela violência.
Com a confirmação da morte, a Polícia Civil deverá reclassificar o inquérito de tentativa de feminicídio para feminicídio consumado, após a conclusão dos procedimentos legais. O suspeito segue preso enquanto o caso continua sendo apurado pela Justiça.





