Uma empresa investigada pela Polícia Federal (PF) por sua relação com o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a lançar três marcas de apostas on-line, mas manteve as operações sem campanhas de divulgação, segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta terça-feira (20).
A Rede Loto, controlada pela Cathedral Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, pagou R$ 5 milhões para obter uma licença de operação concedida pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), em 2023. Apesar do investimento, a empresa teve uma atuação comercial limitada e mudou as marcas utilizadas ao longo do período.
De acordo com a apuração, a primeira plataforma foi a Loto Carioca, que começou a publicar conteúdo nas redes sociais em junho de 2023. Poucos meses depois, a operação passou a utilizar a marca BestBet, que manteve atividade nas redes sociais até o início de 2024.
Em setembro daquele ano, a Rede Loto comunicou à Loterj a intenção de substituir a BestBet pela Loto Legal e incluir a Blend365 na licença. No entanto, a empresa desistiu da inclusão da Blend365 no dia seguinte. A Rede Loto afirma que a Loto Legal nunca chegou a ser lançada e que a negociação envolvendo a outra marca não foi concluída.
Movimentação financeira foi limitada
Documentos apresentados à Loterj indicam que a empresa informou não realizar campanhas publicitárias, anúncios pagos ou ações com afiliados para atrair apostadores. A companhia também declarou ter uma estrutura de funcionários insuficiente para manter as operações no nível desejado.
Em nota enviada ao Metrópoles, a Rede Loto afirmou que os depósitos feitos por apostadores somaram R$ 732,5 mil em dois anos e meio, enquanto os saques chegaram a R$ 717,4 mil. Segundo a empresa, o resultado foi um prejuízo de R$ 10.381,74 após tarifas.
A companhia sustenta que manteve apenas um site no ar, inicialmente chamado Loto Carioca e posteriormente BestBet, sem realizar lançamento comercial ou campanhas de divulgação. Também declarou que o site está paralisado em cumprimento à Medida Provisória nº 1.394/2026.
Relação com Flávio Bolsonaro é investigada
A Cathedral Holdings, controladora da Rede Loto, está no centro das apurações por ter custeado viagens de Flávio Bolsonaro e de familiares, conforme documentos mencionados nas reportagens sobre o caso. A PF investiga as relações financeiras entre o senador e o advogado Willer Tomaz, ligado à estrutura empresarial.
Willer e seus familiares aparecem na composição societária da Cathedral. O advogado, por sua vez, nega irregularidades e afirma que as empresas e participações são lícitas e declaradas. Também sustenta que Flávio Bolsonaro nunca teve acesso ou poderes sobre contas de suas empresas.
A assessoria do senador foi procurada pelo Metrópoles, mas não havia respondido até a publicação da reportagem.
As informações fazem parte de uma investigação em andamento e não representam, por si só, comprovação de crime por parte dos envolvidos.
Fonte: Metrópoles, reportagem de Demétrio Vecchioli, publicada em 20 de outubro de 2026.






