A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial diante do agravamento de sua situação financeira. A varejista registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, fechou 298 lojas e promoveu cortes no quadro de funcionários.
O pedido foi apresentado à Justiça como uma tentativa de reorganizar as dívidas da companhia e preservar o funcionamento das operações. O mecanismo permite que empresas em dificuldades financeiras renegociem suas obrigações sob supervisão judicial, enquanto continuam funcionando.
Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Casas Bahia afirmou que a decisão ocorreu em meio à deterioração de suas condições econômico-financeiras e a um cenário de juros elevados, crédito restrito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões aumenta pressão sobre a empresa
O pedido de recuperação judicial acontece após um trimestre considerado especialmente difícil para a varejista.
Entre abril e junho de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, resultado que aumentou a pressão sobre as finanças da companhia.
A empresa também passou por uma série de medidas para reduzir despesas e adaptar sua estrutura. Entre elas estão o fechamento de 298 lojas e cortes no quadro de funcionários.
O cenário de juros altos e menor disponibilidade de crédito também afeta diretamente o setor de móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, que depende em grande parte de financiamentos e compras parceladas.
Casas Bahia já havia renegociado R$ 4,1 bilhões em dívidas
A varejista já havia passado por um processo de reestruturação financeira.
Em abril de 2024, a companhia iniciou uma recuperação extrajudicial envolvendo R$ 4,1 bilhões em dívidas. O procedimento foi encerrado cerca de três meses depois.
A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com determinados credores. Já a recuperação judicial ocorre sob acompanhamento da Justiça e busca reorganizar as dívidas e preservar a atividade empresarial.
Com o novo pedido, a Casas Bahia inicia uma etapa mais ampla de reestruturação financeira.
Mapa Capital assumiu controle da companhia
A crise também ocorre após uma importante mudança na estrutura acionária da empresa.
A Casas Bahia deixou de ser controlada pela família Klein, fundadora do grupo. Em agosto de 2025, a gestora Mapa Capital assumiu 85,5% do capital da companhia, tornando-se a acionista de referência da varejista.
A mudança ocorreu em meio aos esforços da empresa para reduzir despesas, reorganizar suas finanças e ajustar sua operação.
Valor de mercado é de cerca de R$ 660 milhões
Outro indicador chama atenção para o tamanho da crise.
Enquanto a Casas Bahia acumulou R$ 10,1 bilhões em prejuízo apenas no segundo trimestre, o valor de mercado da companhia na Bolsa está em aproximadamente R$ 660 milhões.
A dívida líquida da empresa terminou junho em cerca de R$ 1,2 bilhão.
O pedido de recuperação judicial não significa que as lojas serão fechadas imediatamente. O objetivo do mecanismo é justamente permitir que empresas que ainda tenham condições de operar possam continuar suas atividades enquanto reorganizam suas obrigações financeiras.
Agora, a Casas Bahia terá pela frente uma nova etapa de reestruturação, desta vez sob acompanhamento da Justiça, após enfrentar prejuízo bilionário, fechamento de centenas de lojas e redução do quadro de funcionários.






