A coleção de relógios de luxo apreendida pela Polícia Federal (PF) na residência do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, pode valer mais de R$ 1,1 milhão. A estimativa leva em consideração os preços praticados no mercado de pronta entrega, onde modelos raros costumam ser negociados por valores superiores aos oficiais das fabricantes.
Os relógios foram encontrados durante o cumprimento de mandados da sexta fase da Operação Unha e Carne, realizada nesta terça-feira (8). Além da coleção, os agentes apreenderam joias, dinheiro em espécie e um fuzil localizado no veículo de Canella, o que resultou em sua prisão em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.


Por que os relógios valem mais no mercado?
Embora o valor oficial da coleção seja estimado em R$ 850,3 mil, no mercado secundário os mesmos modelos podem alcançar R$ 1.107.800, uma diferença de aproximadamente R$ 257,5 mil, ou cerca de 30% acima do preço de tabela.
Segundo especialistas do setor, essa valorização ocorre principalmente por causa do chamado ágio de modelos esportivos da Rolex. A fabricante suíça produz alguns relógios em quantidade limitada, que normalmente são vendidos apenas para clientes selecionados ou mediante longas listas de espera nas boutiques autorizadas.
Com isso, compradores que desejam adquirir essas peças imediatamente recorrem ao mercado de pronta entrega, onde os preços costumam ser significativamente mais altos.
Um dos principais exemplos é o Rolex Daytona em aço, considerado um dos relógios mais disputados do mundo. Enquanto o preço oficial gira em torno de R$ 90 mil, o modelo pode ser negociado por aproximadamente R$ 190 mil no mercado secundário.
Operação Unha e Carne investiga esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões
A sexta fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal, cumpriu 19 mandados de busca e apreensão contra integrantes de uma organização suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Além de Márcio Canella, também foram alvos da operação o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil; o ex-policial militar Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura; e o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em operações financeiras consideradas suspeitas nos últimos seis anos, conforme informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Além dos relógios de luxo, foram apreendidos joias, dinheiro em espécie, veículos e documentos, que passarão por análise e integrarão as investigações sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro.







