Uma carta aberta publicada nas redes sociais pela catequista Laura Gabriela desencadeou uma onda de manifestações, denúncias e pedidos de esclarecimento envolvendo o padre Ademar Pimenta, que vinha atuando na Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, em Saquarema.
O documento, direcionado à comunidade paroquial, denuncia supostas condutas inadequadas do religioso e questiona a falta de providências por parte das autoridades eclesiásticas diante dos relatos que, segundo a autora, já eram de conhecimento da igreja há meses.
A publicação ganhou grande repercussão nas redes sociais e levou a Arquidiocese de Niterói a anunciar a suspensão das atividades do sacerdote.
Relatos envolvendo crianças e jovens
Na carta, Laura Gabriela afirma que autoridades paroquiais receberam relatos detalhados sobre comportamentos considerados incompatíveis com a missão pastoral exercida pelo padre.
Segundo o texto, as denúncias incluem humilhações públicas, constrangimentos recorrentes e abordagens consideradas inadequadas envolvendo crianças e jovens que participam das atividades religiosas.
“Muitos desses relatos vieram justamente de crianças e jovens que servem ao altar, espaço que deveria ser símbolo de acolhimento, formação e segurança”, escreveu a catequista.
Ainda de acordo com a publicação, alguns testemunhos descrevem supostas abordagens invasivas, comentários considerados impróprios, intimidações veladas e exposições constrangedoras ocorridas durante homilias, encontros pastorais e até mesmo em momentos de confissão espiritual.
A autora afirma que os relatos teriam sido apresentados à liderança da igreja meses antes da repercussão pública, mas que nenhuma medida efetiva teria sido adotada.
Indignação após Corpus Christi
A repercussão aumentou após a participação do padre nas celebrações de Corpus Christi.
Em uma nova manifestação publicada nas redes sociais, Laura Gabriela criticou a presença do sacerdote no altar mesmo após a divulgação das denúncias.
A publicação provocou uma série de comentários de fiéis e membros da comunidade católica, que passaram a relatar experiências e situações que, segundo eles, já eram comentadas nos bastidores da igreja havia meses.
Entre os comentários, alguns frequentadores afirmaram que denúncias envolvendo o nome do padre não seriam recentes e que episódios semelhantes teriam ocorrido em outras comunidades por onde ele passou.
Fiéis relatam casos antigos
A repercussão da carta aberta também fez surgir relatos de pessoas que afirmam ter conhecido o sacerdote em outras cidades.
Um dos comentários publicados nas redes sociais cita a passagem do padre pela Paróquia São Gonçalo do Amarante, em São Gonçalo.
Segundo o relato, denúncias envolvendo adolescentes que participavam da comunidade religiosa teriam sido discutidas na época, mas acabaram desacreditadas por parte dos frequentadores.
“O silêncio diante do abuso também causa feridas profundas. Quando denúncias são ignoradas e vítimas não são ouvidas, a dor se multiplica”, escreveu um internauta.
Histórico de polêmicas
As denúncias recentes também fizeram ressurgir um episódio ocorrido em 2008 e que teve ampla repercussão na imprensa.
Na ocasião, o padre Ademar Pimenta se envolveu em uma confusão durante uma missa celebrada em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo reportagens publicadas à época, uma discussão entre o sacerdote e uma pessoa que acompanhava a celebração terminou em agressões físicas dentro da igreja.
De acordo com os relatos divulgados pela imprensa, o episódio aconteceu após declarações feitas durante a homilia serem consideradas ofensivas por participantes da celebração. A situação evoluiu para um tumulto no altar e acabou interrompendo a missa.
O caso teve ampla repercussão e voltou a ser compartilhado nas redes sociais após a divulgação das denúncias recentes envolvendo o religioso.
Arquidiocese anuncia suspensão
Diante da repercussão dos relatos, a Arquidiocese de Niterói divulgou uma nota oficial no último domingo.
No comunicado, o padre Hugo dos Santos Nascimento, coordenador do setor de comunicação da Arquidiocese, informou que Ademar Pimenta não ocupa ofício eclesiástico desde abril de 2019.
Segundo a nota, o sacerdote residia em Saquarema e colaborava com atividades religiosas de forma eventual, mediante convite dos párocos locais.
A Arquidiocese também anunciou a suspensão das atividades do religioso.
De acordo com o comunicado, a medida foi adotada para que o padre possa dar continuidade a um tratamento de saúde.
Até o momento, a instituição não informou se foi instaurado algum procedimento interno para apurar as denúncias divulgadas pela comunidade.
Padre não se pronunciou
Procurado para comentar as denúncias e os relatos divulgados nas redes sociais, o padre Ademar Pimenta não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.
Enquanto isso, a repercussão do caso continua mobilizando fiéis e moradores de Saquarema, que cobram esclarecimentos e eventuais providências por parte das autoridades eclesiásticas diante das denúncias apresentadas.






