Em um movimento estratégico para consolidar a hegemonia da direita no Rio de Janeiro, o Partido Liberal (PL) oficializou, nesta terça-feira, a chapa que disputará o Palácio Guanabara nas próximas eleições. A decisão foi selada em uma reunião de cúpula em Brasília, definindo o atual secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, como o pré-candidato ao governo. A composição terá o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), como candidato a vice-governador.
O anúncio é fruto de uma articulação direta entre o senador Flávio Bolsonaro, o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, e o governador Cláudio Castro. Logo após o martelo ser batido, Ruas e Lisboa foram convocados às pressas à capital federal para formalizar a aliança que une as principais máquinas partidárias do estado.
Cláudio Castro rumo ao Senado e o xadrez do “governador-tampão”
A confirmação da chapa também esclarece o futuro político de Cláudio Castro. O atual governador disputará uma das duas vagas ao Senado Federal. Para cumprir os prazos eleitorais, Castro deverá renunciar ao cargo até o início de abril do ano da eleição.
Essa saída antecipada abre uma disputa interna intensa na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que precisará realizar uma eleição indireta para escolher um “governador-tampão” para os meses finais do mandato. Conforme antecipado pelo Blog do Ricardo Bruno, dois grupos medem forças:
Ala Castro: Defende o nome de Nicola Miccione, secretário da Casa Civil, para garantir a continuidade administrativa.
Ala Bolsonaro/Altineu: Pressiona para que o próprio Douglas Ruas seja eleito pela Alerj, permitindo que ele dispute a reeleição já “sentado na cadeira” e com o controle total da máquina pública estadual.
Márcio Canella e a “Super Aliança” de Direita
A segunda vaga ao Senado na chapa majoritária foi entregue ao prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil). A costura envolveu caciques nacionais, como Antonio Rueda (União), e regionais, como o Dr. Luizinho (PP), consolidando uma frente ampla de direita e centro-direita. Essa coalizão visa não apenas o governo estadual, mas também o fortalecimento do palanque bolsonarista para a disputa presidencial.
O “Drible” em Eduardo Paes e a Resposta do MDB
A indicação de Rogério Lisboa como vice de Ruas representa uma derrota política para o prefeito da capital, Eduardo Paes. Até poucas semanas, Lisboa era o nome preferido de Paes para compor sua chapa, em uma tentativa de atrair o PP para sua base.
Entretanto, a resistência do PP em se aliar à esquerda/centro-esquerda e a pressão do clã Bolsonaro forçaram Lisboa a permanecer no bloco direitista. Em resposta, Paes fechou um acordo com o MDB de Washington Reis, definindo Jane Reis (irmã de Washington) como sua vice. O movimento do PL nesta terça-feira foi visto como uma reação rápida para isolar Paes e garantir o apoio dos maiores colégios eleitorais da Baixada Fluminense.






