De volta à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump passou a se apresentar como um dos principais mediadores dos conflitos armados mais graves em curso no mundo, como a guerra entre Rússia e Ucrânia e o genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza. Paralelamente ao discurso diplomático, porém, seu governo intensificou ações militares diretas, com bombardeios e operações em pelo menos sete países ao longo de 12 meses — tendo a Venezuela como o episódio mais recente e de maior impacto político.
Nesse período, forças estadunidenses realizaram ataques militares na Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália. As ofensivas deixaram ao menos 634 mortos, segundo dados oficiais e relatos locais, além de um número indeterminado de feridos.
Venezuela no centro da escalada
O episódio mais recente ocorreu na Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado no sábado (3/1) durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas. Trump confirmou a detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e o traslado do casal para território norte-americano.
A ação foi considerada o ponto máximo de uma escalada de tensões na América Latina e no Caribe, iniciada em julho, quando Washington lançou uma ofensiva militar na região sob a justificativa de combater supostos narcotraficantes classificados como “narcoterroristas”.
Nos meses seguintes, militares dos EUA bombardearam mais de 20 embarcações no mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Apesar de a Casa Branca afirmar que as vítimas integravam organizações criminosas ligadas ao narcotráfico, nenhuma prova concreta foi apresentada publicamente.
Maduro passou a ser alvo direto das ameaças de Trump após ser acusado — sem apresentação de evidências — de liderar o chamado Cartel de los Soles, classificado recentemente pelos Estados Unidos como organização terrorista internacional.
Ataques em outros países
Além da Venezuela, Trump anunciou em dezembro de 2025 um ataque descrito como “poderoso e mortal” contra o Estado Islâmico (Isis) na Nigéria. O grupo também foi alvo de ações militares dos EUA na Síria, Somália, Iraque e Irã ao longo do ano.
No Iêmen, bombardeios atingiram o porto de Ras Isa, na província de Hodeidah, deixando 84 mortos. Durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, forças norte-americanas também atacaram instalações nucleares em Teerã, antes de um cessar-fogo ser anunciado.
A imagem de mediador
Mesmo com o aumento das ações militares, Trump tem buscado consolidar a imagem de mediador internacional. Em outubro, anunciou um plano para encerrar a ofensiva israelense em Gaza e, no conflito entre Rússia e Ucrânia, afirmou que um acordo seria “fácil”, embora a guerra siga ativa.
Segundo especialistas, a estratégia combina força militar e diplomacia personalizada, com encontros diretos com líderes como Vladimir Putin, Volodymyr Zelensky e Benjamin Netanyahu, em uma tentativa de reforçar sua projeção política e internacional.






