São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, continua sendo uma das poucas cidades brasileiras de grande porte sem uma rodoviária oficial. Com aproximadamente 960 mil habitantes, o município é cortado por três importantes rodovias — RJ-104, RJ-106 e BR-101 — e a população precisa improvisar embarques e desembarques diariamente.
Cidade cresceu ao longo das rodovias
A expansão urbana de São Gonçalo ocorreu principalmente às margens da Rodovia Niterói–Manilha (RJ-104) e da Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106). A essas vias soma-se a Rodovia Governador Mário Covas (BR-101), uma das principais ligações do país e porta de entrada para quem chega ao município.
Sem um terminal rodoviário estruturado, o início e o fim das viagens acontecem, há décadas, em pontos improvisados ao longo dessas rodovias. Entre os locais mais utilizados estão:
- Área ao lado do Shopping São Gonçalo, na BR-101
- Terminal de Manilha, na RJ-104
- Pontos próximos ao bairro Coelho, ao longo da RJ-106
Esses pontos, porém, não oferecem segurança nem infraestrutura adequada. Passageiros enfrentam chuva, calor intenso, riscos de assalto e dificuldade de mobilidade com malas e bagagens.
Fluxo intenso reforça a necessidade de um terminal
Dados recentes do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro (DER-RJ) mostram o peso diário sobre a malha viária que corta São Gonçalo:
- 32.686 veículos por dia passam pela RJ-104
- 34.664 veículos por dia circulam pelos trechos da RJ-106 dentro da cidade
No meio desse trânsito intenso, milhares de moradores utilizam as rodovias como se fossem corredores urbanos, adaptados para as necessidades de transporte intermunicipal e interestadual.
Critérios modernos para localização de rodoviárias
Especialistas em urbanismo explicam que, diferentemente do passado — quando rodoviárias eram construídas nos centros das cidades e funcionavam como símbolos urbanos — hoje a lógica de planejamento mudou. Terminais rodoviários modernos costumam ser instalados em áreas periféricas, próximas a rodovias, para facilitar o acesso dos ônibus e reduzir impactos no trânsito local.
Apesar disso, São Gonçalo nunca implantou uma rodoviária formal, mesmo sendo uma cidade classificada como de grande porte, já que ultrapassa 500 mil habitantes. Municípios vizinhos e menores, como Itaboraí, possuem terminais que fazem a ligação entre RJs e BRs, oferecendo mais organização e segurança ao fluxo de passageiros.
Problema antigo sem solução
A ausência de um terminal rodoviário estruturado impacta diretamente o dia a dia dos moradores, que continuam dependendo de paradas improvisadas e enfrentando condições inadequadas de mobilidade, segurança e conforto. Enquanto não há definição sobre a construção de uma rodoviária, São Gonçalo segue como um dos maiores centros urbanos do país sem esse equipamento essencial.






