Morreu nesta quarta-feira (11), aos 75 anos, Tânia Rodrigues, uma das principais lideranças na defesa dos direitos das pessoas com deficiência no Estado do Rio de Janeiro. Ex-vereadora de Niterói, ex-deputada estadual e fundadora da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), ela construiu uma trajetória marcada por superação, militância e forte atuação legislativa.
A causa da morte não foi divulgada pela família. O velório será realizado nesta quinta-feira (12), das 10h ao meio-dia, no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói.
Uma história de superação desde a infância
A própria história de vida de Tânia foi determinante para sua atuação pública. Aos três anos, ela contraiu poliomielite, o que resultou em paralisia infantil e longos períodos de internação hospitalar. A alfabetização começou em casa, com o pai, e aos oito anos ingressou oficialmente na escola.
Concluiu os estudos em Niterói, passando pelo Colégio Floriano Peixoto, no Barreto; Colégio Santa Bernadete, em Santa Rosa; e Liceu Nilo Peçanha, no Centro.
A convivência com médicos durante a infância despertou o interesse pela área da saúde. Aos 17 anos, ingressou na Universidade Federal Fluminense (UFF) para cursar Medicina, formando-se aos 23. Especializou-se em Neurologia e atuou em São Paulo antes de retornar ao Rio de Janeiro, onde coordenou o Serviço de Neurologia da Casa de Caridade de Araruama. Em 1981, passou a integrar o serviço público como médica da Prefeitura de Niterói e do INPS.
Fundação da Andef e atuação nacional
O ano de 1981 marcou outro momento decisivo. Durante o Ano Internacional das Pessoas com Deficiência, Tânia participou de um congresso em Recife e, ao perceber a necessidade de uma organização voltada à inclusão, fundou a Andef, em 31 de agosto.
A Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos se tornou uma das maiores entidades do Brasil voltadas à inclusão, promovendo programas de qualificação profissional e empregabilidade em parceria com instituições como a Fundação de Apoio à Escola Técnica.
Tânia também participou da consolidação do movimento das pessoas com deficiência no Estado do Rio e apoiou iniciativas que fortaleceram o esporte paralímpico, incluindo o suporte inicial ao Comitê Paralímpico Brasileiro.
Atuação política e leis aprovadas no Rio de Janeiro
Na política, Tânia Rodrigues foi vereadora de Niterói entre 1992 e 1994 e deputada estadual de 1995 a 2002. Presidiu a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e participou de investigações que apontaram irregularidades em bancos de sangue e hemocentros do estado.
Durante o mandato, apresentou e aprovou leis importantes, entre elas:
- Lei 2.418/1995 – Tornou obrigatório o uso do cinto de segurança no Estado do Rio de Janeiro;
- Lei 3.364/2000 – Instituiu a meia-entrada para jovens até 25 anos;
- Lei 4.047/2002 – Definiu a pessoa idosa a partir dos 60 anos para efeitos legais;
- Criação do Dia Estadual de Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.
Sua atuação parlamentar foi marcada pelo compromisso com a cidadania, a saúde pública e a inclusão social.
Homenagem da família
Em uma publicação emocionada nas redes sociais, a filha Camila Rodrigues prestou homenagem à mãe:
“Hoje eu não perdi uma parte de mim, eu morri junto. Quem conhece a história da minha mãe sabe o quanto ela foi guerreira a vida inteira. Fundou a maior associação de pessoas com deficiência da América Latina, criou leis que beneficiaram todo segmento que ela tanto amava e lutava.”
Legado na inclusão e nos direitos das pessoas com deficiência
A trajetória de Tânia Rodrigues une superação pessoal, atuação médica e protagonismo político. Seu legado permanece vivo nas instituições que ajudou a criar, nas leis que continuam em vigor e na consolidação das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência no Rio de Janeiro.
A morte de Tânia marca o encerramento de um ciclo histórico na luta por inclusão, acessibilidade e direitos no estado.






