Horas antes de ser preso, o deputado estadual TH Joias (MDB) enviou ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), imagens da equipe da Polícia Federal dentro de sua própria residência. O envio ocorreu às 6h03 do dia da operação e é apontado pela PF como uma das provas mais sensíveis sobre possível vazamento de informação sigilosa e tentativa de obstrução de Justiça.
Segundo a Polícia Federal, TH encaminhou a Bacellar a foto de um celular que exibia as imagens do sistema de segurança do imóvel, mostrando os agentes federais já no interior da casa. Ele também compartilhou o telefone de sua advogada.
O episódio ocorreu durante a deflagração da Operação Zargun, em setembro.
Cronologia: troca de celular e esvaziamento do imóvel
A Informação da Polícia Federal citada na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão de Bacellar, detalha a movimentação na véspera da operação, em 2 de setembro de 2025.
De acordo com a investigação:
- A residência de TH Joias foi esvaziada às pressas, com uso de caminhão-baú para retirada de objetos;
- Durante a mudança, o deputado trocou de celular e passou a utilizar um número com DDD 83 (Paraíba);
- O Apple ID do novo aparelho foi criado às 20h36, cerca de 1h30 após ele chegar em casa;
- A PF identificou uma lista de contatos considerados prioritários para comunicação imediata, entre eles Rodrigo Bacellar e Tharcio Nascimento Salgado.
Segundo a PF, Bacellar aparece como o primeiro nome da lista enviada por TH Joias, identificado como “01”, o que, para os investigadores, demonstra a prioridade no contato.
Conversas indicariam conhecimento prévio
Ainda conforme a Polícia Federal, mensagens encontradas no novo celular indicariam que Bacellar já tinha conhecimento da troca de aparelho.
No diálogo, TH informa que está usando um novo número e chama Bacellar de “01”. O presidente da Alerj responde com uma figurinha, o que, segundo a PF, sugere que ele já sabia da mudança.
Orientação para retirada de objetos
O inquérito aponta que, após ser alertado sobre a operação, TH Joias realizou uma retirada de bens da residência e consultou Bacellar sobre deixar alguns itens no imóvel, como um freezer.
Em resposta, Bacellar teria orientado: “Deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido.”
Para os investigadores, a troca de mensagens indica possível participação ativa na tentativa de evitar que objetos fossem encontrados durante a ação policial.
Operação Unha e Carne
Rodrigo Bacellar foi preso nesta quarta-feira (3) no âmbito da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Zargun.
Segundo a Polícia Federal, a conduta atribuída ao presidente da Alerj aponta para possível envolvimento direto no encobrimento do investigado e na tentativa de dificultar a atuação dos órgãos de persecução penal.
A investigação segue em andamento e busca identificar a origem e a extensão do suposto vazamento dentro do sistema político e institucional do Estado do Rio de Janeiro.







