Em uma decisão que aprofunda o abismo entre a classe política e o cidadão comum, o governador Cláudio Castro (PL) regulamentou, nesta quinta-feira (12), a ampliação do serviço de segurança institucional para ex-mandatários do Rio de Janeiro. Enquanto o estado enfrenta índices alarmantes de criminalidade e falta de policiamento ostensivo em diversas regiões, o novo decreto garante um aparato exclusivo e permanente para quem deixa o Palácio Guanabara.
Segurança VIP e Hereditária
Pela nova regra, cada ex-governador terá à disposição uma equipe fixa de quatro militares da ativa e dois motoristas, com direito a dois veículos oficiais diariamente. O benefício, inicialmente previsto para durar quatro anos após o mandato, agora pode ser renovado indefinidamente.
A medida vai além: o privilégio foi estendido a cônjuges e filhos de ex-governantes. Enquanto a família fluminense comum evita sair de casa em horários de risco e convive com o medo de balas perdidas e assaltos, os familiares de políticos poderão contar com proteção oficial do Estado, renovável a cada dois anos sob justificativa de “risco”.
O Contraste com a Realidade das Ruas
A justificativa de Castro para a medida — “peculiaridades operacionais” e “ameaças do crime organizado” — soa amarga para a população. O argumento admite, na prática, que o crime organizado é uma ameaça real e potente no estado, mas a resposta do Executivo prioriza a proteção de seus pares em vez de fortalecer a segurança pública universal.
Enquanto policiais militares são deslocados da ativa para servir como seguranças particulares de políticos e seus parentes, bairros da Região Metropolitana e comunidades sofrem com a carência de efetivo. Para o cidadão que depende do 190 ou do policiamento de rua, não há “veículo oficial” ou “equipe à disposição”; há apenas a estatística da insegurança.
Prioridades sob Questionamento
O decreto surge no momento em que Castro se prepara para deixar o cargo e disputar o Senado, garantindo, antecipadamente, sua própria proteção futura. A mudança na lei, que antes limitava o serviço ao tempo equivalente a um mandato, agora abre brecha para uma escolta vitalícia custeada pelo pagador de impostos.
Recentemente, a pressão política sobre esse tema ficou evidente quando o ex-governador Anthony Garotinho utilizou as redes sociais para cobrar reforço em sua escolta, atribuindo a Cláudio Castro a responsabilidade por sua integridade. O pedido foi prontamente atendido, evidenciando que, no Rio de Janeiro, a segurança parece ser tratada como uma moeda de troca política e um direito exclusivo da elite governante, deixando o restante da sociedade em segundo plano.

05/03/2026/
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