O Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores estaduais do Rio de Janeiro, voltou ao centro das atenções nesta quarta-feira (28) após mais uma mudança inesperada em sua cúpula administrativa. O governador Cláudio Castro assinou a exoneração de Alcione Soares Menezes Filho, diretor de Administração e Finanças, que havia assumido interinamente a presidência do órgão poucos dias antes.
A saída ocorreu logo após o desligamento do então presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. De acordo com o regimento interno da autarquia, Alcione deveria permanecer no comando interino até a nomeação de um novo titular. No entanto, o governo do estado decidiu interromper esse processo de transição.
Novas nomeações e substituições estratégicas
Na mesma edição do Diário Oficial, Cláudio Castro nomeou Nicholas Ribeiro da Costa Cardoso para assumir a diretoria de Administração e Finanças, cargo anteriormente ocupado por Alcione. Também foi anunciada uma mudança na diretoria de Investimentos: Gilson Felix da Silva passou a ocupar o posto no lugar de Eucherio Lerner Rodrigues, que, assim como Deivis Marcon Antunes, foi alvo de investigação da Polícia Federal na semana passada.
As substituições reforçam o momento de instabilidade institucional vivido pelo Rioprevidência, que enfrenta questionamentos sobre sua governança e gestão financeira.
Histórico de controvérsias e vínculos familiares
Alcione Soares Menezes Filho integrava o Rioprevidência desde 2024 e já havia atuado anteriormente na Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer). Sua passagem pela entidade foi marcada por controvérsias, incluindo o fato de ter sido réu em uma ação judicial relacionada a investimentos realizados durante sua gestão.
Outro ponto que chamou atenção foi a presença de Anderson de Mello Menezes, filho de Alcione, no quadro do Rioprevidência. Anderson atuava como assistente comissionado desde 2023 e, no mesmo ano em que o pai assumiu a diretoria, foi indicado para o Comitê de Investimentos. À época, a autarquia afirmou que a função exercida por ele o qualificava para integrar o colegiado.
Investigação da Polícia Federal e investimentos bilionários
As mudanças no comando do Rioprevidência ocorrem em um momento considerado sensível, em meio à investigação da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades em aplicações financeiras do fundo, incluindo um investimento de R$ 1 bilhão no Banco Master.
Na última sexta-feira (23), agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão na sede do Rioprevidência e em endereços ligados ao ex-presidente e a ex-diretores da autarquia. As apurações seguem em andamento e ampliam as incertezas sobre a condução administrativa e financeira do fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro.






