Romário troca o plenário pela noitada em Miami e expõe o deboche com o dinheiro público

Enquanto o trabalhador brasileiro cumpre jornadas exaustivas e tenta fechar as contas do mês, o senador Romário (PL-RJ) transformou o mandato em um camarote de luxo nos Estados Unidos. Sob o pretexto de “acompanhar a Copa do Mundo”, o ex-jogador abandonou fisicamente as suas obrigações no Congresso Nacional para curtir noitadas em Miami Beach, dançando em palcos e celebrando vitórias da Seleção longe da realidade do Rio de Janeiro.

Pressionado pelas intensas e justas críticas nas redes sociais, o parlamentar correu às redes nesta terça-feira para anunciar, por videoconferência, que abrirá mão do salário bruto de R$ 46.366,19 durante o torneio. A medida, que tenta soar como um ato de desprendimento e moralidade, nada mais é do que uma manobra desesperada de contenção de danos de quem foi pego no pulo gozando de privilégios inadmissíveis.

O “Home Office” do privilégio
A justificativa de Romário para não se licenciar formalmente do cargo beira o cinismo. O senador alega que manteve o mandato ativo para poder votar, de forma remota, na PEC que discute o fim da jornada de trabalho 6×1. É uma ironia cruel: um parlamentar que desfruta de uma escala “0x7” em praias e baladas americanas quer posar de herói dos direitos trabalhistas através de uma tela de computador.
A tecnologia moderna deve servir para aproximar o parlamentar do cidadão e otimizar os trabalhos legislativos, e não para chancelar o turismo parlamentar e o abandono de cargo. Legislar exige presença, debate nas comissões, articulação nos corredores e escuta da população — atividades impossíveis de serem realizadas entre um jogo da Copa e uma festa na Flórida.

Para piorar o cenário de total desconexão com a realidade do país, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apressou-se em blindar o colega. Em vez de cobrar decoro e presença, Alcolumbre classificou as cobranças da sociedade como “agressões” e elogiou a postura de Romário, tratando como “honra” o que é, claramente, uma afronta à ética pública.

Ao defender o indefensável, a cúpula do Senado mostra que opera em uma bolha onde o compadrio vale mais do que o respeito ao eleitor. Romário foi eleito pelo povo do Rio de Janeiro para enfrentar a crise de segurança, o colapso na saúde e o desemprego que assolam o estado, e não para ser correspondente internacional de entretenimento.

Abrir mão do salário temporariamente não apaga o fato de que a cadeira do Rio de Janeiro no Senado está vazia. O episódio deixa claro que, para o “Baixinho”, as prioridades do Brasil e do povo fluminense sempre estarão em segundo plano quando a bola rolar e a noite de Miami chamar.

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