Trilheiro morre após queda de cerca de 200 metros na Pedra do Macaco, em Maricá

Um passeio entre amigos terminou em tragédia na manhã deste domingo (29), em Maricá. O trilheiro Caio Rocha Aguiar Azevedo, de 44 anos, conhecido como “Rocha”, morreu após sofrer uma queda de aproximadamente 150 a 200 metros durante uma trilha na Pedra do Macaco, em São José do Imbassaí.

Segundo amigos que participavam da atividade, Caio era experiente em trilhas e esportes de aventura. O grupo saiu de Araruama com destino ao ponto turístico de Maricá e, já no topo da Pedra do Macaco, o trilheiro decidiu caminhar até uma área elevada para fazer uma fotografia.

Durante a descida, ele teria escolhido um caminho inadequado, perdeu o equilíbrio e caiu em direção a uma área de mata fechada e de difícil acesso.

O instrutor Matheus Moura, que participou da operação de resgate, explicou que a vítima despencou de cerca de 150 a 200 metros.

“Ele subiu em um ponto para fazer uma foto e, ao descer, acabou seguindo pelo lado errado. O local não suportou o peso dele e, infelizmente, aconteceu a queda. Ele caiu cerca de 150 a 200 metros de altura”, relatou.

Um amigo de Caio também descreveu como tudo aconteceu.

“Quando ele estava descendo, acabou vacilando naquele trecho, que é uma parede de pedra. Ao perder o apoio dos pés, tentou se segurar, mas acabou pulando. Foi um erro fatal. Quando soltou as mãos, os pés tocaram na pedra, ele perdeu o equilíbrio e caiu.”

Outra amiga contou que Caio pretendia fazer uma foto próximo à borda da pedra.

“Ele percebeu que a posição era arriscada, virou de frente para a rocha e tentou se segurar, mas a mão escorregou. Ele ainda caiu em pé sobre uma pedra, bateu em outra e depois despencou no penhasco.”

Resgate durou horas

O terreno de difícil acesso tornou a operação bastante complexa.

Segundo Matheus Moura, as equipes precisaram acessar o local por uma fazenda e seguir por uma extensa área de mata fechada até localizar a vítima.

“Fizemos a entrada por uma fazenda e depois seguimos por uma área de mata muito fechada. Foi quando conseguimos localizar a vítima. Em seguida, um guia chegou para dar apoio na transferência. Foi uma situação muito complicada.”

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o chamado foi registrado por volta das 11h30. Militares do quartel de Maricá atuaram com apoio de equipes de Niterói e de um helicóptero.

Somente por volta das 17h foi possível alcançar o local da queda e retirar o corpo de Caio, que já estava sem vida.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML).

A Polícia Civil informou que a 82ª DP (Maricá) investiga as circunstâncias do acidente.

Quem era Caio

Morador do bairro Bananeiras, em Araruama, Caio trabalhava com grupos especializados em trilhas, passeios, excursões e viagens.

Nas redes sociais, compartilhava registros frequentes de aventuras em montanhas e trilhas. Antes do acidente, inclusive, publicou imagens gravadas durante o percurso na Pedra do Macaco.

Amigos e familiares o descrevem como uma pessoa alegre, companheira e apaixonada pela natureza.

Em uma homenagem publicada por um perfil dedicado ao montanhismo, amigos escreveram:

“Rocha era uma pessoa apaixonada pela vida, pela natureza e pelo esporte. Seu espírito aventureiro, sua alegria e o amor pelas montanhas deixarão lembranças inesquecíveis entre todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.”

Pedra do Macaco recebe visitantes de várias cidades

A Pedra do Macaco é um dos principais destinos para trilhas em Maricá e costuma receber visitantes de diversas cidades da Região Metropolitana, especialmente aos fins de semana.

Conhecida pelos mirantes naturais e pela vista privilegiada, a trilha atrai praticantes de esportes de aventura e amantes da natureza.

Segundo acidente fatal em trilha de Maricá em menos de um mês

A morte de Caio acontece cerca de duas semanas após outro acidente fatal em uma trilha de Maricá.

No último dia 14, Rosemary Suzart Garcia, de 59 anos, morreu após cair enquanto se preparava para realizar rapel na Gruta do Spar, em Inoã.

Segundo testemunhas, ela utilizava equipamentos de segurança quando escorregou próximo à borda da formação rochosa. O instrutor responsável ainda tentou segurá-la, mas não conseguiu evitar a queda devido às condições do terreno.

A Gruta do Spar é conhecida por receber praticantes de rapel e outros esportes de aventura, reunindo antigas galerias de mineração, lago natural e paredões com cerca de 40 metros de altura.

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