O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) decidiu retirar sua pré-candidatura ao Senado nas eleições deste ano. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (28) pelo presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto.
Segundo a declaração, Castro comunicou diretamente à cúpula do partido que não seguirá na disputa eleitoral. “O Rio que resolve”, afirmou Valdemar ao comentar a reorganização da chapa do PL no estado.
A decisão ocorre em meio ao agravamento da situação política e jurídica do ex-governador, que foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e é alvo de duas operações da Polícia Federal em um intervalo inferior a 15 dias. Nos bastidores, lideranças do partido já avaliavam que a candidatura era considerada inviável e poderia gerar impactos negativos no desempenho eleitoral da legenda no Rio de Janeiro.
Pressão interna no PL aumentou após operações da Polícia Federal
Segundo integrantes do partido, a manutenção da candidatura de Cláudio Castro vinha gerando preocupação devido aos possíveis reflexos sobre outras pré-candidaturas da sigla, como a do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do deputado Douglas Ruas, que disputa o governo estadual.
Aliados relatam que o ex-governador passou a ter menor presença em agendas públicas e já era visto internamente como um fator de desgaste político. Nos bastidores, a avaliação era de que novas revelações poderiam agravar ainda mais sua situação.
“Acabou. Ele está muito enrolado e vai piorar”, afirmou um dirigente da legenda sob reserva.
A pressão aumentou após duas operações recentes da Polícia Federal. Na mais recente, realizada na terça-feira (26), Castro foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, em investigação envolvendo o Banco Master.
De acordo com a PF, a relação entre o ex-governador e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco, teria facilitado aportes de aproximadamente R$ 3 bilhões do Rioprevidência na instituição. Na decisão, o ministro classificou os investimentos como “temerários e desprovidos de justificativa técnica”.
Dias antes, em 15 de maio, outra operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes investigou suposto favorecimento à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, em um esquema de fraudes fiscais envolvendo uso da máquina pública estadual.
Inelegibilidade já afetava plano eleitoral de Cláudio Castro
Antes mesmo das investigações da Polícia Federal, Cláudio Castro já enfrentava dificuldades políticas após ser declarado inelegível pelo TSE por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Em março, o ex-governador renunciou ao cargo na tentativa de evitar a cassação definitiva e viabilizar novas articulações eleitorais. No entanto, a estratégia acabou gerando instabilidade política no estado.
Apesar de ainda recorrer da decisão e cogitar uma candidatura sub judice, dirigentes do PL consideravam baixas as chances de reversão da inelegibilidade.
“É uma questão jurídica. Ele está inviabilizado”, afirmou uma liderança do partido.
PL articula substituto para a vaga ao Senado no Rio
Com a saída de Castro da disputa, o Partido Liberal já discute nomes para substituí-lo na chapa ao Senado no Rio de Janeiro. A definição deve ocorrer nas próximas articulações internas, com forte influência do senador Flávio Bolsonaro.
Entre os nomes cotados estão os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi. O nome de Rogéria Bolsonaro também aparece entre as possibilidades.
A chapa do PL no estado previa ainda Douglas Ruas como candidato ao governo do Rio, com Rogério Lisboa (PP) como vice, além do ex-prefeito Márcio Canella (União Brasil) para outra vaga ao Senado.






