Os rodoviários de São Gonçalo, segunda maior cidade em população do Rio de Janeiro com 960 mil habitantes, decidiram em assembleia nesta quarta-feira (24/9) entrar em estado de greve. A medida foi tomada após as empresas de ônibus municipais se recusarem a participar das negociações da data-base da categoria, que define reajustes salariais e benefícios.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), a decisão dos empresários ameaça os 5,7 mil trabalhadores do setor, que podem ficar mais um ano sem aumento.
Empresas alegam congelamento das tarifas
Os donos de empresas de ônibus afirmam que não podem oferecer reajustes devido ao congelamento da tarifa em R$ 3,95 há oito anos e ao não repasse integral das gratuidades (idosos, estudantes e pessoas com deficiência) pela Prefeitura de São Gonçalo.
Atualmente, a cidade registra um cenário preocupante no transporte público: em oito anos, a frota caiu 43%, passando de 674 para 384 veículos, e houve redução de quase 20% nos postos de trabalho, com perda de 1.411 empregos formais desde 2022.
Reivindicações dos rodoviários
Durante a série de assembleias realizadas no Leste Fluminense, os rodoviários definiram a pauta de reivindicações:
- 15% de reajuste salarial
- Cesta básica de R$ 600,00
- Fim da circulação de dinheiro em espécie nos ônibus, com implantação de sistema digital de cobrança (PIX e cartões bancários)
O último encontro acontece em Niterói nesta quinta-feira (25/9). A data-base da categoria é 1º de novembro.
Sindicato cobra posicionamento
O presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, afirmou que a categoria não aceitará pisos salariais diferentes dentro da mesma região:
“Queremos um reajuste linear. Caso contrário, haverá greve, pois a categoria está motivada e unida contra esse absurdo. Já demos nossa cota de sacrifício durante a pandemia. Não há como retroceder mais”, declarou.
O sindicato informou ainda que já enviou ofícios à Prefeitura de São Gonçalo, à Secretaria Municipal de Transportes, ao Ministério Público do RJ (MPRJ), ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e à Justiça, alertando sobre uma possível paralisação.
Rubens Oliveira reforçou que o MPT foi solicitado para mediar o impasse em caráter de urgência:
“Não vamos mais ficar sem reajuste salarial por conta de problemas financeiros das empresas. O poder concedente é corresponsável e tem que se posicionar.”






