TCE-RJ aponta irregularidades e suspende gestão de hospitais em São Gonçalo

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) suspendeu nesta quarta-feira (17) a transferência da gestão do Pronto Socorro Central Dr. Armando Gomes de Sá Couto e do Hospital Infantil Darcy Souza Vargas, em São Gonçalo, para uma organização social (OS). A decisão vale até o julgamento final do processo e se refere à chamada pública de R$ 116,4 milhões realizada pela Fundação Municipal de Saúde para selecionar a entidade que administraria os hospitais.

A liminar foi determinada pelo conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento, relator do caso, após representação do vereador Isaac Ricalde (PCdoB), que apontou supostas irregularidades na chamada pública nº 001/2025, que previa parceria com a OS Instituto Rosa Branca.

Irregularidades apontadas pelo TCE-RJ

O Tribunal identificou diversas falhas no processo, incluindo:

  • Falta de transparência e restrição ao acesso à informação;
  • Fragilidade técnica nos documentos apresentados;
  • Inconsistências financeiras;
  • Problemas no formato de condução do procedimento;
  • Violações a normas e à jurisprudência;
  • Riscos à continuidade e à qualidade dos serviços prestados.

Liminar determina suspensão imediata

A decisão monocrática obriga a Prefeitura de São Gonçalo e a Fundação Municipal de Saúde a suspender, até o julgamento final:

  • A transferência da gestão dos hospitais para qualquer OS;
  • O repasse de recursos ao Instituto Rosa Branca.

Os gestores têm 15 dias para cumprir exigências, como:

  • Comprovar o cumprimento da tutela provisória;
  • Responder detalhadamente às irregularidades apontadas, adotando medidas corretivas se necessário;
  • Atualizar os dados do edital de seleção no sistema Sigfis do TCE-RJ;
  • Comunicar imediatamente a OS selecionada sobre a representação, permitindo sua manifestação.

O processo também será encaminhado à Secretaria-Geral de Controle Externo do TCE-RJ para análise técnica, com posterior manifestação do Ministério Público do Rio (MPRJ). A decisão será comunicada ao responsável pelo contrato.

Nota da Prefeitura de São Gonçalo

A Prefeitura de São Gonçalo, por meio da Fundação Municipal de Saúde, afirmou que não há irregularidades na chamada pública e que o pronto-socorro já é administrado por uma OS.

“A FMS informa, ainda, tratar-se de uma decisão de tutela provisória, a qual cabe defesa, que está a cargo da Procuradoria”, destacou a nota.

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