O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (15/10), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A ação também chegou ao município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, onde foram cumpridas ordens judiciais.
Canella foi o segundo candidato a deputado estadual mais votado do Rio nas eleições de 2026, conquistando 197.178 votos. O político também ocupa a presidência estadual do União Brasil e já havia sido alvo de uma etapa anterior da investigação.
Além dele, o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, também foi preso durante a operação, em Niterói.
A operação investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio como estrutura para lavagem de dinheiro, com possível participação de agentes públicos.
Segundo informações de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o esquema investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.
Nesta quinta-feira, agentes federais cumprem seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Angra dos Reis, Petrópolis e Armação dos Búzios.
A Corregedoria da Polícia Civil acompanha o cumprimento das determinações judiciais envolvendo policiais civis investigados.
Em julho deste ano, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, Márcio Canella chegou a ser preso em flagrante após a apreensão de uma arma de uso restrito. Na ocasião, o político alegou que o armamento não lhe pertencia.
A investigação também chegou à Justiça Eleitoral. Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) autorizou sua candidatura a deputado estadual, apesar de um pedido de impugnação apresentado pela Procuradoria Regional Eleitoral, que apontava suspeitas de ligação com milicianos da Baixada Fluminense.
A nova fase da Operação Unha e Carne faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas e investigar suas possíveis conexões com agentes públicos no estado.
Os investigados poderão responder, conforme a participação individual apurada, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comércio ilegal de combustíveis e formação de cartel.
As investigações seguem em andamento, e as prisões preventivas não representam condenação definitiva dos envolvidos.






